sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

Teste seus conhecimentos sobre a Iniciação à Vida Cristã por aqui:

 

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Material de Apoio para a realização da Semana Catequética 2026 na Arquidiocese de Brasília

No intuito de preparar os catequistas de Brasília para a implantação da IVC nas paróquias, a Semana Catequética 2026 terá como tema o livro: Formação para Catequistas para a Iniciação à Vida Cristã,  Edições CNBB.


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O livro segue a sequência de apresentação das palestras da I Romaria Nacional de Catequistas, realizada em Aparecida 2024, cujos links estão disponíveis no próximo post deste blog.

Segue também, disponível para download: 


Proposta para uma Apresentação síntese:


Pode escutar aqui um podcast que resume bem os temas tratados no livro:


Proposta de Dinâmica para apresentação/aprofundamento da IVC:



5 Ideias que Vão Mudar Sua Forma de Pensar a Catequese


**Introdução: Uma Nova Visão para a Fé no Século XXI

Para muitos de nós, a palavra "catequese" evoca memórias da infância: um conjunto de aulas, uma preparação para receber um sacramento, um ciclo que se encerrava com a Primeira Eucaristia ou a Crisma. Era uma etapa a ser cumprida, um serviço a ser consumido. No entanto, enquanto muitos se preocupam com a relevância da fé em um mundo cada vez mais veloz, um movimento profundo de renovação está em curso na Igreja, repensando a catequese não como uma escola, mas como uma jornada de encontro.

Em um recente encontro nacional que reuniu milhares de catequistas de todo o Brasil, emergiram ideias que desafiam profundamente nossas noções sobre comunidade, fé e vida digital. Este artigo explora cinco dos conceitos mais impactantes e surpreendentes dessa nova visão, que propõem uma transição de um modelo de fé passivo e de consumo para um caminho ativo, relacional e comunitário, capaz de formar discípulos para o século XXI.

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1. A Surpreendente "Ilusão da Igreja Cheia"

À primeira vista, uma igreja com missas lotadas aos domingos parece um sinal inequívoco de vitalidade. No entanto, o Pe. Wagner Francisco de Sousa Carvalho nos alerta para a "ilusão da igreja cheia". Ele apresenta um dado chocante: uma paróquia com 8.000 católicos em seu território pode ter suas missas de fim de semana cheias com 800 pessoas, mas, na realidade, estar atingindo apenas 10% de sua comunidade.

Essa percepção é contraintuitiva e revela uma tensão fundamental. Uma pastoral de "manutenção" ou "de balcão", que funciona como um prestador de serviços esperando os clientes, pode se sentir bem-sucedida com esse número. No entanto, a realidade é que 90% da comunidade está ausente. Essa ilusão alimenta um ciclo de desculpas que impede a ação missionária: o catequista culpa o padre, o padre culpa a família, e todos se acomodam. A ideia da "igreja em saída" é o antídoto: um chamado urgente para romper com o modelo de consumo e ir ativamente ao encontro de quem está afastado.

"se nós não abrirmos os olhos, nós nos consolamos com a ilusão da igreja cheia e permanecemos com as mesmas atitudes e atividades."

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2. O Campo de Batalha Invisível: Sua Fé vs. a Lógica das Redes Sociais

Vivemos imersos em uma "cultura amplamente digitalizada", como aponta o comunicador Moisés Sabardelotto. O motivo para a Igreja estar presente nesse ambiente não é para ser "moderninha", mas sim por um imperativo pastoral: ir ao encontro de uma "humanidade muitas vezes ferida". E nesse novo território, trava-se uma batalha silenciosa entre duas lógicas opostas que moldam nossa forma de ser.

De um lado, a lógica da fé cristã; do outro, a lógica das plataformas digitais. O contraste é profundo e define o conflito entre um modelo de consumo e um de doação:

  • Lógica da Fé: Baseada na economia do dom (graça), na comunhão, na memória e na cultura do encontro.
  • Lógica Digital: Baseada no lucro, na economia da atenção, no individualismo, na efemeridade e na cultura do descarte.

Essa cultura digital impacta nossa percepção de tempo, de espaço e de nós mesmos, alimentando a "geração ansiosa". Viver a fé de forma autêntica exige discernimento e "educação midiática" para não sermos moldados por uma lógica que nos trata como consumidores. A missão é habitar esse espaço, não para sermos consumidos por ele, mas para sermos presença de graça.

"Entre essas estradas pelas quais a igreja deve sair estão também as digitais congestionadas de humanidade muitas vezes ferida." – Papa Francisco

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3. A Primeira e Principal Catequista Não é Quem Você Pensa

Quando pensamos em quem é responsável por transmitir a fé, os primeiros nomes que vêm à mente são a família e o catequista. No entanto, Dom Leomar Antônio Brustolin propõe uma mudança radical de perspectiva: a primeira e principal catequista não é uma pessoa, mas a comunidade eclesial como um todo.

Ele argumenta que a fé de uma criança pode florescer, ainda que com dificuldade, mesmo sem o apoio familiar, mas dificilmente sobreviverá em uma comunidade que não é acolhedora, que não celebra bem sua liturgia ou que não vive a caridade que prega. A fé nasce e se fortalece no "seio da comunidade".

Essa ideia é o antídoto definitivo para um modelo isolado e programático de catequese. A tarefa de iniciar na fé deixa de ser uma função terceirizada a um grupo de voluntários e se torna a missão central de toda a paróquia. Cada membro, com sua forma de acolher, de rezar e de servir, torna-se corresponsável pela transmissão da fé, transformando a comunidade de uma prestadora de serviços em um organismo vivo que gera novos filhos e filhas.

"a primeira e principal catequista é a comunidade igreja."

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4. O Objetivo Não é Aprender, é Ser Conduzido ao Mistério (Mistagogia)

Muitos processos de catequese se concentram no acúmulo de informações: decorar orações, aprender os mandamentos, conhecer a doutrina. Embora importante, o objetivo final é outro. Dom Andherson Franklin nos lembra que o grande desafio da Igreja é transformar a "multidão" em "discípulos". Para isso, ele resgata o antigo conceito de mistagogia: a "condução para dentro do mistério".

A mistagogia conecta os ritos e símbolos da fé com a vida. Dom Andherson ilustra isso com sua própria história e com uma imagem poderosa: um quadro em sua biblioteca onde Cristo toca um discípulo, que por sua vez transmite a fé a outro. A fé se passa por esse toque, por essa proximidade. Após anos afastado, ele foi acompanhado na Semana Santa por uma catequista que, "falando no ouvido", traduzia o significado profundo da liturgia. Aquela celebração deixou de ser um rito externo e se tornou uma experiência transformadora.

Essa abordagem move a catequese de um modelo de consumo de informações para uma "educação para a experiência do Mistério da fé". Resgata-se a dimensão vivencial onde a fé não é apenas aprendida, mas experimentada, transformando espectadores da multidão em discípulos tocados pelo Mistério.

"ela traduziu a celebração de modo que eu pudesse contemplar O Mistério do amor de Deus no seu filho que Abraça a cruz se entrega nela e vitorioso sai da morte..."

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5. Tudo Começa com um Encontro, Não com um Currículo (Querigma)

Qual é o verdadeiro ponto de partida da vida cristã? Segundo Mariana Aparecida Venâncio, não é um currículo de conteúdos, mas o Querigma. Essa palavra grega significa "primeiro anúncio", não em ordem cronológica, mas em primazia: a proclamação de uma pessoa, Jesus Cristo, que nos ama e nos convida a um encontro pessoal e transformador.

A primeira tarefa não é ensinar doutrinas, mas facilitar esse encontro vivo. No entanto, Mariana faz um alerta crucial contra a "terceirização do anúncio querigmático" para grandes encontros de massa, que podem gerar uma experiência emocional passageira, mas não a conversão profunda. O verdadeiro anúncio acontece no processo pessoal e comunitário, no acompanhamento paciente.

Sem essa experiência fundante de acolher o anúncio e decidir livremente seguir Jesus, todo o resto da formação se torna frágil, uma "casa construída sobre a areia". É por isso que tantos "somem" após os sacramentos. Sem o Querigma autêntico, vivido em comunidade, a catequese corre o risco de ser apenas mais um produto a ser consumido, e não o início de uma vida de discipulado.

"se eu não ouvi o anúncio sobre Jesus e desejei profundamente... aprofundar o conhecimento e a experiência da pessoa de Jesus não tem caminho de iniciação à vida cristã que se sustente."

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Conclusão: Da Multidão aos Discípulos

Juntas, essas cinco ideias pintam o retrato de uma fé que se recusa a ser um produto de prateleira. Elas nos chamam a sair da "ilusão da igreja cheia" para uma missão real; a discernir as lógicas de consumo do mundo digital; a entender que toda a comunidade é catequista; e a priorizar a experiência do mistério (mistagogia) a partir de um encontro pessoal com Cristo (querigma). A catequese deixa de ser um curso a ser concluído para se tornar uma jornada que transforma consumidores em colaboradores, e a multidão em uma comunidade viva de discípulos.

Depois de ver a fé por essa nova ótica, a pergunta que fica é: estamos apenas fazendo parte da multidão ou estamos verdadeiramente nos tornando discípulos?

Principais Ideias da Formação de Catequistas para a IVC


Resumo Executivo

Este documento sintetiza os temas centrais da Formação de Catequistas para a Iniciação à Vida Cristã (IVC), um programa focado na renovação da catequese a partir da inspiração catecumenal. A formação delineia uma mudança paradigmática, movendo-se de um modelo primariamente instrucional para um processo de acompanhamento missionário e comunitário, cujo objetivo é promover um encontro transformador com a pessoa de Jesus Cristo.

Os principais eixos da formação são:

  1. A Estrutura da IVC: A proposta se inspira no catecumenato antigo, estruturando-se em quatro tempos essenciais: Querigma (primeiro anúncio), Catecumenato (aprofundamento da fé), Purificação e Iluminação (preparação quaresmal) e Mistagogia (integração do mistério na vida). Este itinerário não é apenas um novo currículo, mas uma forma de ser Igreja, superando a "ilusão da igreja cheia" e a sacramentalização como "festa de despedida".
  2. Querigma e Mistagogia como Fios Condutores: O Querigma, anúncio central da morte e ressurreição de Cristo, e a Mistagogia, a arte de conduzir ao mistério unindo celebração e vida, não são apenas etapas isoladas, mas princípios que devem permear todo o processo catequético. A finalidade última é uma adesão pessoal e livre a Jesus, que ressignifica toda a existência.
  3. A Comunidade como Agente Central: A responsabilidade pela iniciação à fé não é exclusiva do catequista, mas de toda a comunidade eclesial. O catequista assume o papel de mediador e testemunha, abandonando a postura de "pastoral de balcão" para adotar a de uma "Igreja em saída", que acompanha e se aproxima das realidades de cada pessoa.
  4. Enfrentamento dos Desafios Contemporâneos: A catequese é chamada a dialogar criticamente com a cultura digital. Isso implica não apenas usar ferramentas tecnológicas, mas formar cristãos com senso crítico para navegar em um ambiente de imediatismo, excesso de informação e riscos como desinformação e "magistérios paralelos". O foco pastoral deve ser a presença junto a uma "humanidade muitas vezes ferida" que habita os ambientes digitais.
  5. Centralidade da Palavra e da Liturgia: Métodos como a Leitura Orante (Lectio Divina) são apresentados como fundamentais para colocar a escuta orante da Palavra de Deus no coração da catequese. A liturgia, com seus ritos e símbolos, é o espaço privilegiado onde a fé é celebrada e vivenciada, tornando-se a escola do discipulado através do ritmo do Ano Litúrgico.

1. A Renovação da Catequese pela Inspiração Catecumenal (IVC)

A formação parte de um diagnóstico da cultura atual, marcada pelo fim da cristandade e pela dificuldade de transmitir a fé entre gerações. A proposta da Iniciação à Vida Cristã (IVC) surge como uma resposta a essa realidade, buscando superar modelos que já não dialogam com o homem contemporâneo.

Diagnóstico e Urgência

  • A "Ilusão da Igreja Cheia": Aponta-se para a discrepância entre a percepção de igrejas cheias aos domingos e a realidade de que apenas uma pequena fração dos católicos participa ativamente. Um levantamento exemplifica que em uma paróquia de 8.000 católicos, apenas 800 participavam das missas de fim de semana, atingindo somente 1% da população local.
  • A Catequese Laical: Dados históricos (1990) mostram que a catequese no Brasil já era majoritariamente conduzida por leigos (95%), sendo 80% mulheres. Essa realidade reforça a necessidade de formação contínua e de integração dos catequistas na missão global da paróquia.
  • Da Manutenção à Missão: Critica-se a "pastoral de balcão", uma postura passiva de espera nos templos. A urgência é por uma "Igreja em saída", que vai ao encontro das pessoas, especialmente daquelas que estão afastadas. A pergunta central para cada paróquia é: "ela é uma paróquia de manutenção ou de missão?".

A IVC como um Novo Projeto de Vida

A IVC é definida pelo Documento 107 da CNBB como "um novo projeto de vida". Sua finalidade não é meramente preparar para os sacramentos, mas produzir uma transformação pessoal e relacional integral.

  • Encontro Pessoal: A base do ser cristão é "o encontro com um acontecimento, com uma pessoa" (Papa Francisco, Evangelii Gaudium), e não primariamente uma decisão ética ou uma grande ideia. A IVC visa facilitar essa experiência fundamental.
  • Superação do Individualismo: A catequese deve ajudar a superar o "eu" para fortalecer o "nós", pois a fé cristã é vivida em comunidade.
  • Finalidade Transformadora: O objetivo é que o encontro com Cristo transforme todas as áreas da vida, modificando as relações da pessoa consigo mesma, com os outros, com o mundo e com Deus.

A Estrutura em Quatro Tempos

A IVC se inspira no catecumenato da Igreja primitiva, organizando-se em um itinerário processual e gradual, composto por quatro tempos distintos e interligados:

Tempo

Descrição

1. Querigma (ou Pré-Catecumenato)

É o tempo do anúncio essencial de Jesus Cristo, morto e ressuscitado. Sua finalidade é despertar a fé inicial, o encanto pela pessoa de Jesus e o desejo de segui-Lo. É a "porta de entrada" para a vida cristã.

2. Catecumenato

Considerado o coração da catequese, é um tempo longo de aprofundamento e maturação da fé. O conteúdo é centrado na Palavra de Deus e na Tradição viva da Igreja, visando uma formação doutrinal, litúrgica e vivencial.

3. Purificação e Iluminação

Coincide com o tempo quaresmal. É uma preparação intensa e imediata para os sacramentos, marcada por ritos de discernimento espiritual, como a Eleição (inscrição do nome) e os Escrutínios.

4. Mistagogia

Ocorre no Tempo Pascal, após a recepção dos sacramentos. É o tempo de "conduzir para dentro do mistério", ajudando os neófitos (recém-iniciados) a compreenderem e vivenciarem a graça sacramental em seu cotidiano.

2. Pilares da Ação Catequética: Querigma e Mistagogia

Embora sejam tempos específicos do itinerário, o Querigma e a Mistagogia são apresentados como os eixos fundamentais que devem inspirar e conduzir toda a ação catequética.

O Querigma: O Anúncio Essencial

O Querigma é o "primeiro anúncio", não em ordem cronológica, mas em centralidade e importância.

  • Conteúdo: É o anúncio da pessoa de Jesus Cristo, com foco no núcleo da fé pascal (sua morte e ressurreição para a salvação) e em um horizonte trinitário.
  • Finalidade: Seu objetivo não é ensinar um conceito, mas promover uma experiência profunda de encontro que gera uma primeira adesão a Cristo. Mariana Aparecida Venâncio afirma: "o acolhimento do Querigma é a porta de entrada para o caminho da vida cristã".
  • Características:
    • Comunitário: É tarefa de toda a comunidade, que não deve "terceirizar" essa missão para movimentos ou grandes eventos.
    • Processual: Não é um "choque" momentâneo ou mágico, mas um processo de escuta, acolhimento e encontro pessoal.
    • Inculturado: Precisa ser anunciado de forma a fazer sentido na vida e nos desafios concretos de quem escuta, assim como os evangelistas fizeram para suas respectivas comunidades.

A Mistagogia: O Fio Condutor para o Mistério

A Mistagogia é a arte de introduzir no mistério, conectando a fé celebrada com a vida vivida.

  • Dupla Dimensão: É tanto um tempo específico (pós-batismal, no período pascal) quanto um fio condutor que perpassa toda a IVC.
  • Finalidade: Ajudar o cristão a delinear sua "vida nova" em Cristo, traduzindo na prática a graça recebida nos sacramentos. Dom Andherson Franklin explica que é o processo que transforma a "multidão" em "discípulos missionários".
  • O Processo Mistagógico: Envolve quatro experiências fundamentais:
    1. Encontro com Cristo: A celebração do sacramento insere o cristão vitalmente em Cristo.
    2. Transfiguração: A vida ganha um novo sentido e a pessoa é chamada a uma conversão pessoal, eclesial e social.
    3. Homem do Devir: O cristão compreende que sua configuração a Cristo é um caminho contínuo, uma construção que dura a vida inteira.
    4. Nascimento do Discípulo: A consciência do batismo e da Eucaristia gera a compreensão de que se é chamado a anunciar e testemunhar.

3. Métodos e Práticas Fundamentais

A formação detalha práticas essenciais para a implementação de uma catequese de inspiração catecumenal, destacando a centralidade da Palavra, da liturgia e dos ritos.

A Centralidade da Palavra: A Lectio Divina

A Leitura Orante é apresentada como o método por excelência para a escuta da Palavra na catequese. É um exercício que requer silêncio e abertura de coração, estruturado em quatro passos simples:

  1. Leitura: Contemplar o texto bíblico como ele é, atentando-se a cada palavra e guardando o que mais toca o coração.
  2. Meditação: Perguntar-se "o que o texto diz a mim, hoje?", permitindo que a Palavra ilumine a própria vida, memórias e missão.
  3. Oração: Transformar a escuta em resposta, apresentando a Deus o fruto da meditação em forma de súplica, louvor ou agradecimento.
  4. Contemplação: Encontrar um modo de, na vida diária, realizar a Palavra meditada, assumindo um propósito concreto ou fazendo memória de como essa Palavra já se realizou na própria história.

O Tempo do Catecumenato: Aprofundamento e Formação

Este é o período mais extenso, descrito pela Irmã Maria Aparecida Barboza como o "coração da catequese", onde ocorre a formação propriamente dita.

  • Processo Orgânico e Gradual: Respeita os "degraus da fé" de cada catequizando.
  • Conteúdo Sólido: Aprofunda a fé a partir da Palavra de Deus e da Tradição viva da Igreja (Magistério, Catecismo).
  • Dimensão Comunitária: A formação acontece no seio da comunidade, que acolhe, acompanha e forma. É o tempo de criar laços e o senso de pertença.
  • Ritos: É marcado por celebrações que marcam o caminho, como o Rito de Admissão ao catecumenato e a Entrega da Profissão de Fé (Creio).

O Tempo de Purificação e Iluminação: A Experiência Quaresmal

Este tempo, correspondente à Quaresma, é uma preparação imediata e intensa para os sacramentos.

  • Foco no Discernimento: É um tempo para "separar o feijão do cisco", discernindo o desejo de seguir a Cristo.
  • Rito de Eleição: Realizado no primeiro domingo da Quaresma, marca a passagem do catecúmeno à condição de "eleito", escolhido por Deus para receber os sacramentos.
  • Os Escrutínios: Ritos penitenciais celebrados no 3º, 4º e 5º domingos da Quaresma, sempre utilizando as leituras do Ano A, que foram estruturadas para o catecumenato:
    • 1º Escrutínio (A Samaritana): Foco na sede de sentido e em Jesus como a fonte de água viva.
    • 2º Escrutínio (O Cego de Nascença): Foco na luz da fé e em Jesus como a luz que ilumina a vida.
    • 3º Escrutínio (A Ressurreição de Lázaro): Foco na vida nova que Deus oferece em Cristo, que vence a morte.

4. Desafios Contemporâneos: A Catequese na Cultura Digital

A formação dedica atenção especial ao impacto da cultura digital, tratando-a não como uma ferramenta, mas como o ambiente onde a vida acontece.

Diagnóstico da Cultura Digital

  • Imersão Total: Dados de 2024 apontam que o brasileiro passa, em média, 9 horas e 13 minutos por dia conectado, o segundo maior tempo do mundo.
  • Características (os 4 "Is"): A cultura digital é marcada por:
    1. Informação: Acesso sem precedentes a um volume massivo de dados.
    2. Interatividade: Conexão constante e em tempo real.
    3. Imediatismo: Aceleração da noção de tempo; tudo é para "aqui e agora".
    4. Imaginação: Facilidade de criar e compartilhar conteúdo (vídeos, textos, imagens).
  • Modelo de Negócio: As plataformas digitais operam na economia da atenção, onde o tempo e os dados dos usuários são o produto. O lucro é o objetivo principal, não a promoção do Reino de Deus.

Riscos e Contratestemunhos

  • Impacto na Saúde Mental: O livro A Geração Ansiosa é citado para alertar sobre a epidemia de transtornos mentais em jovens, causada pela infância hiperconectada, comparação social e padrões estéticos irreais.
  • Pseudocatequese e Magistérios Paralelos: As redes sociais podem abrigar discursos que se apresentam como católicos, mas que operam de forma autônoma, desrespeitando o Papa e os bispos. Caracterizam-se frequentemente por:
    • Agressividade e discurso de ódio.
    • Comercialização da fé.
    • Divulgação de fake news e teorias conspiratórias.
    • Alienação da realidade social e dos pobres.

Propostas para uma Ação Pastoral

  • Presença Missionária: A Igreja é chamada a estar nas "estradas digitais", que estão "congestionadas de humanidade muitas vezes ferida" (Papa Francisco).
  • Três Níveis de Atuação:
    1. Catequese na rede: Utilizar as plataformas para a ação catequética (grupos, sites, etc.).
    2. Catequese sobre a rede: Formar pessoas com senso crítico para viver de forma consciente na cultura digital (educação midiática).
    3. Catequese a partir da rede: Trazer as lógicas da cultura digital (interatividade, uso de imagens) para o encontro presencial, tornando-o mais dinâmico.
  • Testemunho: O objetivo final é "testemunhar com alegria e simplicidade o que somos e aquilo em que acreditamos".

5. Papéis e Responsabilidades na Comunidade Iniciadora

A IVC exige uma reconfiguração dos papéis dentro da comunidade, enfatizando a corresponsabilidade.

A Comunidade como Primeira Catequista

A afirmação de Dom Leomar Brustolin de que "a primeira e principal catequista é a comunidade igreja" é central.

  • Superar a Solidão Catequética: A iniciação não é uma tarefa isolada do catequista, mas uma missão de todos os batizados, incluindo a equipe de liturgia, as famílias e os demais movimentos e pastorais.
  • Comunidade Acolhedora: A comunidade deve ser um espaço de hospitalidade, amparo e pertença, onde os iniciandos possam se enraizar.

A Vocação e Missão do Catequista

O papel do catequista é redefinido, afastando-se do modelo escolar.

  • Mediador e Testemunha: O catequista é um "mediador que facilita a comunicação" entre o catequizando e o mistério de Deus. O seu testemunho de vida é mais importante que o conteúdo falado: "É o ser mais do que o fazer".
  • Formação e Oração: O catequista precisa ser um membro ativo da comunidade, buscar formação contínua e ser uma pessoa de oração, consultando o Espírito Santo antes de cada encontro.
  • Um Provérbio Africano: A missão do catequista é resumida na frase: "Gente simples fazendo coisas pequenas em lugares pouco importantes conseguem mudanças extraordinárias".

Funções Específicas na IVC

O processo da IVC prevê figuras específicas que auxiliam no acompanhamento:

Função

Descrição

Introdutor

Membro da comunidade que conhece, ajuda e testemunha os costumes ao simpatizante. É uma figura crucial para acolher e estreitar a distância entre a pessoa e a Igreja.

Padrinho/Madrinha

Acompanha o candidato no dia da eleição, na celebração dos sacramentos e no tempo da mistagogia, evitando o "sentimento de orfandade".

Catequista

Membro da comunidade com o dom e a vocação de facilitar o processo, que deve receber formação e ser um ponto de referência da fé para os outros.

I Romaria dos Catequistas 2024 (CNBB)


Seguem os videos dos momentos formativos vivenciados pelos catequistas presentes na I Romaria Nacional de Catequistas, realizada entre 30 de agosto e 1º de setembro de 2024, sob a coordenação da Comissão para Animação Bíblico-Catequética da CNBB, no Santuário Nacional de Aparecida, em São Paulo, reunindo milhares de catequistas para formação e celebração da Iniciação à Vida Cristã (IVC).










No ano de 2026 (28 a 30 de agosto),  teremos mais uma edição deste grande evento de evangelização e formação para a Catequese do Brasil.