quinta-feira, 26 de setembro de 2019

CATEQUISTA, VOCAÇÃO, MINISTÉRIO E MISSÃO


  Ampliada Bíblico-Catequética do Regional Centro Oeste
Tema: Catequista, vocação, ministério e missão

Assessor: Padre Humberto Robson de Carvalho
(realizado nos dias 20 a 22/set/2019 – Sede da CNBB em Goiânia/GO)
Organização: Comissão para Animação Bíblico-Catequética do Regional Centro Oeste
Participação: Arquidioceses de Brasília e Goiânia, Dioceses de Goiás, Luziânia, Anápolis, Jataí, São Luiz dos Montes Belos, Uruaçu, Ipameri. Não enviaram representantes: Itumbiara, Rubiataba-Mozarlândia e Formosa.

            Na sexta feira fomos recebidos com muito carinho e um gostoso jantar, acolhidos pelo assessor, padre Humberto que solicitou que cada um se apresentasse e demonstrou real interesse em guardar o nome de cada pessoa (foi repetindo a lista dos que já tinham se apresentado, de forma a facilitar que todos gravassem o nome de todos). Recomendou que fizéssemos parecido nos encontros de catequese pois quando sabemos o nome de uma pessoa, o que é “sagrado”, ela deixa de ser “mais uma” para se tornar alguém especial.
            Houve a provocação da projeção de uma gravura contendo o Batistério, o Círio Pascal em um cenário com flores, com a seguinte frase de Tertuliano: Cristão não se nasce, torna-se. Todos foram convidados a se aproximarem da gravura e tocar em algo que fosse mais significativo para si, denotando a multiplicidade de carismas e valores (Círio, Batistério, palavra cristão, Cruz, etc.)
            Pela manhã de sábado, celebramos a Eucaristia onde fomos provocados a encontrar a palavra chave das Leituras e do Evangelho, pois estamos acostumados a nos desligar e esquecer com muita facilidade a passagem bíblica e homilia que escutamos. É preciso “ruminar” a Palavra de Deus – livro chave da Catequese, para termos nossa vida transformada à luz de seus ensinamentos.
            Padre Humberto explicou a dinâmica da formação, onde cada um (chamado pelo nome) iria lendo um parágrafo do livro Catequista, vocação, ministério e missão, de forma a entender que a missão do catequista não pode ficar no nível pedagógico, ensinar as verdades intelectuais da fé, mas deve ir além, conduzir o catequizando ao mistério que é o próprio Cristo, proporcionar este encontro pessoal do qual jamais esqueceremos (verdadeira conversão). Para tanto, a catequese deve ter um viés iniciático e transformador, entrar pelo coração e não somente pela cabeça.
            Uma catequese que tem como objetivo preparar unicamente para a recepção do sacramento (diploma) não é capaz de fornecer a sustentação da vida da fé, fica superficial e propensa a se esvair ao encontrar-se com outras doutrinas. Foi citado o caso de uma ex-coordenadora de catequese que mudou de religião e disse “encontrei Jesus”.
            A Mistagogia pressupõe uma catequese orante, celebrativa, Jesus “fala” por meio dos ritos e símbolos, não pode ser conteudista ou de “decoreba”, tem caráter querigmático enquanto anuncia a Boa Nova de Jesus Cristo (encarnação, morte e ressurreição – Mistério Pascal), através do qual Deus se reconcilia conosco e nos dá a eternidade junto d’Ele.  Catequese e Liturgia são irmãs gêmeas, se complementam e nunca deveriam andar separadas.
            Da leitura do livro passamos a entender o que se deu com a catequese ao longo da história, para colher aprendizado e referências:
Idade Antiga (sec. I ao sec. IV): Os apóstolos, movidos pela grande força do ES, eram os catequistas que anunciavam a vinda do Salvador. O exemplo dos primeiros cristãos no amor, e também martírio levaram o império à conversão. Os catequistas eram chamados de “doutores”. No sec. III e IV tínhamos o catecumenato de adultos, um itinerário progressivo, com ritos de passagem. Para adentrar no mistério de Jesus era preciso demonstrar mudança de vida. Após um primeiro anúncio - Querigma, era proposto um período de aprofundamento – Catecumenato.  O amadurecimento na fé era selado pela recepção dos sacramentos da Iniciação Cristã, a partir do qual o catecúmeno se inseria definitivamente na Igreja e passava a participar integralmente da Liturgia.
Idade Média (sec. V a XIV): Luta contra as heresias, como o Arianismo. A Igreja evangelizava pela Liturgia, religiosidade popular, devoções, imagens de santos e arte sacra. Ocorre o cisma com a Igreja do Oriente.
Idade Moderna (sec. XV a XIX): Passou-se a valorizar mais a aprendizagem doutrinal, individual, que não favorece a ligação com a comunidade. Ocorre a Reforma e início das religiões protestantes. (Os católicos começam a se desligar da Bíblia, enquanto que os protestantes da Eucaristia e de Nossa Senhora).
Idade Contemporânea (a partir da Revolução Francesa):  há uma grande ruptura na credibilidade das instituições como a família, escola, igreja, política, o que desencadeou a crise atual. A evolução científica passou a colocar em cheque alguns dos ensinamentos religiosos. Como o fiel não estuda a sua religião, fica sem respostas aos questionamentos dos demais. Não deve existir fundamentalismo quanto ao entendimento dos textos sagrados da Bíblia, muito menos da tradição oral que era peculiar à época. Sendo a Igreja um organismo vivo, formado por Cristo cabeça e nós membros, devido às alterações na cultura e ambiente, sempre existirão forças para implantar mudanças dentro do seio da Igreja.
            O Concílio Vaticano II (1962-1965), convocado pelo papa João XXIII, marcou a procura por uma Igreja mais humana, de comunhão, participação e preocupação com os pobres. Já estavam ocorrendo avanços na Liturgia. Produziu 16 documentos, dos quais 4 são Constituições. Até hoje não conseguimos implantar a totalidade da riqueza de ideias que surgiram no Concílio. Pensamentos diferentes são comuns, não há com que se assustar, pode haver comunhão entre pessoas que pensam diferente. Na Bíblia há diversidade de carismas e um só é o Senhor.
            Carismas são dons que ganhamos pessoalmente de Deus. Pode ser entendido também como o foco de uma Ordem religiosa que as identificam. Por exemplo o carisma dos salesianos é cuidar da juventude, dos franciscanos é cuidar do pobres, das irmãs de Belém é cuidar da evangelização nas escolas, etc. Deus nos infundiu o E.S. no nosso Batismo, recebemos as virtudes teologais da Fé, Esperança e Caridade, além das virtudes cardeais dentro em tantos outros dons. 
A fé não se contrapõe à inteligência, mas não pode ser compreendida com conhecimento intelectual, deve entrar pelo coração. “O cristianismo não é o encontro com um conjunto de normas, mas com a pessoa de Jesus”; e por isto nossa Igreja insiste em uma catequese de inspiração catecumenal, em que o catequizando deve ser iniciado no grande mistério de incorporação ao Corpo de Cristo, que é a Igreja. A abertura às novas realidades se dará na medida da abertura ao Espírito Santo, para a salvação do povo de Deus.
** Após a Adoração Eucarística, no final da tarde, foi organizada a eleição para os cargos de Coordenador e Vice-Coordenador da Comissão, tendo cada (Arqui)Diocese direito a uma indicação e logo após a um voto. Foram eleitas Anamar (Diocese de Goiás) e Andréia (Arquidiocese de Brasília) respectivamente. O secretário (Wanderson) e a tesoureira (Keila) foram confirmados nas respectivas funções, com apoio de todos, bem como o Padre assessor e o Bispo Referencial.
Para confraternização levamos lembrancinhas a serem trocadas e rimos muito das prendas distribuídas. Cantamos parabéns ao aniversariante Gustavo, nosso iniciante catequista e violeiro e passamos a saborear deliciosas guloseimas trazidas pelos participantes, dentre as quais se destacaram os bolos do Flávio, com cobertura de nutela e brigadeiro.
No domingo começamos a refletir sobre a urgência de buscarmos um novo caminho para a Catequese. A fé deve ser professada, celebrada e testemunhada! Existe uma íntima relação entre Fé e Liturgia. Uma catequese mistagógica significa pegar o catequizando pela mão e conduzir ao encontro pessoal com Jesus Cristo, entra pelo coração e não pela razão.
Vivemos uma catequese mistagógica na oração da manhã, belamente orante, refletimos com a Palavra de Deus, o Salmo e refrões meditativos lindamente conduzidos pelas catequistas Maria Lucia, Ana Paula e pelo Padre Adelso. Tudo ali conduzia ao Mistério de Cristo.
Ainda pela manhã refletimos sobre o Ministérios ordenados e não ordenados dentro da Igreja, e chegamos à conclusão de que os catequistas exercem verdadeiramente um Ministério intimamente relacionado à missão evangelizadora da Igreja, e como tal, poderia ser instituído,  a partir de alguns elementos básicos de formação e tempo na função, dando-se o devido reconhecimento ao catequista que colabora com seu serviço amoroso e gratuito, suscitado e sustentado por Deus. Este Ministério não seria um prêmio dado pela Igreja, nem um título de superioridade, muito menos de poder, pois o ministério é diaconia.
O exercício concreto de ministério por parte dos batizados é consequência natural do caráter sacramental e carismático da consagração batismal. As atitudes recomendadas para o exercício de qualquer Ministério dentro da Igreja devem ser sempre a humildade, a simplicidade, o zelo e a alegria do serviço a todos, sem considerar um mais do que o outro, mas amando-se mutuamente. Os ministros leigos, pela ação do Espírito Santo, atuam no corpo místico que é a Igreja e perpetuam por meio de seu serviço, a ação de Cristo no mundo e na sociedade, fundada no amor.
            Iniciou-se a leitura do capitulo sobre o desafio atual da pós modernidade, em que a velocidade das informações, acesso as tecnologias e mudanças nas relações suscitam um novo jeito de fazer catequese, de forma vivencial, inculturada, mistagógica e conectada com a realidade, de forma atrativa e autêntica. Como o tempo não foi suficiente ficou para cada catequista terminar o estudo do livro em casa.
            O padre Humberto solicitou que em duplas os catequistas dialogassem sobre o que ficou de mais importante do encontro e logo em seguida fizemos a celebração da impostação do sinal da cruz em vários membros do corpo uns dos outros (fronte, boca, ouvidos, ombro, costas, etc), significando nossa verdadeira aliança com Cristo e entre nós catequistas.
            Nosso encontro encerrou-se com a Palavra e Eucaristia dominical, presidida por Dom Eugênio e seguida do almoço. Ficamos extremamente felizes e abastecidos nestes dias, o saber do assessor, as trocas entre os catequistas e as oportunidades de reflexão em muito enriquecem nosso Ministério da Catequese, ainda não instituído, mas já completamente reconhecido e entendido pelos participantes.

segunda-feira, 23 de setembro de 2019

Porque levamos nossos filhos para a Catequese?



A grande maioria de nós teria muita certeza em responder que levamos as crianças e jovens para a catequese porque queremos que obtenham os sacramentos da Eucaristia e Crisma.
Esta visão sacramentalista da catequese foi revisada já algum tempo na Igreja, que hoje sabe não ser suficiente ao fiel católico ter realizado o sacramento  e  não ter desenvolvido dentro de si a consciência de sua filiação divina, de salvação em Jesus Cristo, da origem e necessidade de pertencer ao Povo de Deus que convive dentro de uma comunidade no seio da  Igreja, e com as mesmas disposições dos primeiros cristãos. E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações. Atos 2:42
Por isto a proposta da Igreja é que a Catequese seja um instrumento à Serviço da Iniciação à Vida Cristã. O que entendemos por ser iniciado? Ser introduzido, passar por uma transformação, fazer uma adesão consciente que leve ao fiel o sentimento de pertença e fidelidade. A celebrações litúrgicas nos ajudam ao fazerem a ponte entre nós e Deus, acreditamos ser ELE mesmo na Eucaristia que nos alimenta, na pessoa do padre quando nos perdoa na CONFISSÃO e nos ensina nas pregações, quando nos recebe em sua família no BATISMO, e fortalece nosso espírito na CRISMA. A presença de DEUS é especial nos sacramentos, mas é geral na atuação dos fiéis e da Igreja.
Catequizar ou instruir na fé é uma missão de toda a Igreja, a começar pelo Bispo, sacerdotes e complementarmente pelos leigos. É um verdadeiro trabalho de equipe de toda a Paróquia (Batismo, Liturgia, Catequese, Movimentos, Grupos, etc.), aprendemos e ensinamos na convivência respeitosa, no cuidado mútuo, de forma a permitir que nos sintamos unidos a Verdadeira Videira que é Cristo, e compreender razões não mais infantis de nossa fé Católica.
Para sermos capazes de livremente seguir a Jesus Cristo no seio da Igreja, devemos SER INICIADOS, não conseguiremos viver sem ELE. Buscaremos ter com Ele uma RELAÇÃO de proximidade, aprender com seus ensinamentos a considerar a todos como irmãos e a buscar, um reino de Justiça e Paz, no que for possível já aqui na terra, com olhos fitos no SENHOR que passaremos a contemplar na eternidade.