2ª Ampliada Bíblico-Catequética do Regional
Centro Oeste
Tema:
Catequista, vocação, ministério e missão
Assessor:
Padre Humberto Robson de Carvalho
(realizado
nos dias 20 a 22/set/2019 – Sede da CNBB em Goiânia/GO)
Organização:
Comissão para Animação Bíblico-Catequética do Regional Centro Oeste
Participação: Arquidioceses de
Brasília e Goiânia, Dioceses de Goiás, Luziânia, Anápolis, Jataí, São Luiz dos
Montes Belos, Uruaçu, Ipameri. Não enviaram representantes: Itumbiara,
Rubiataba-Mozarlândia e Formosa.
Na
sexta feira fomos recebidos com muito carinho e um gostoso jantar, acolhidos
pelo assessor, padre Humberto que solicitou que cada um se apresentasse e
demonstrou real interesse em guardar o nome de cada pessoa (foi repetindo a
lista dos que já tinham se apresentado, de forma a facilitar que todos
gravassem o nome de todos). Recomendou que fizéssemos parecido nos encontros de
catequese pois quando sabemos o nome de uma pessoa, o que é “sagrado”, ela
deixa de ser “mais uma” para se tornar alguém especial.
Houve
a provocação da projeção de uma gravura contendo o Batistério, o Círio Pascal
em um cenário com flores, com a seguinte frase de Tertuliano: Cristão não se
nasce, torna-se. Todos foram convidados a se aproximarem da gravura e tocar em
algo que fosse mais significativo para si, denotando a multiplicidade de
carismas e valores (Círio, Batistério, palavra cristão, Cruz, etc.)
Pela
manhã de sábado, celebramos a Eucaristia onde fomos provocados a encontrar a
palavra chave das Leituras e do Evangelho, pois estamos acostumados a nos
desligar e esquecer com muita facilidade a passagem bíblica e homilia que
escutamos. É preciso “ruminar” a Palavra de Deus – livro chave da Catequese,
para termos nossa vida transformada à luz de seus ensinamentos.
Padre
Humberto explicou a dinâmica da formação, onde cada um (chamado pelo nome) iria
lendo um parágrafo do livro Catequista, vocação, ministério e missão, de
forma a entender que a missão do catequista não pode ficar no nível pedagógico,
ensinar as verdades intelectuais da fé, mas deve ir além, conduzir o
catequizando ao mistério que é o próprio Cristo, proporcionar este encontro
pessoal do qual jamais esqueceremos (verdadeira conversão). Para tanto, a
catequese deve ter um viés iniciático e transformador, entrar pelo coração e
não somente pela cabeça.
Uma
catequese que tem como objetivo preparar unicamente para a recepção do
sacramento (diploma) não é capaz de fornecer a sustentação da vida da fé, fica
superficial e propensa a se esvair ao encontrar-se com outras doutrinas. Foi
citado o caso de uma ex-coordenadora de catequese que mudou de religião e disse
“encontrei Jesus”.
A
Mistagogia pressupõe uma catequese orante, celebrativa, Jesus “fala” por meio
dos ritos e símbolos, não pode ser conteudista ou de “decoreba”, tem caráter
querigmático enquanto anuncia a Boa Nova de Jesus Cristo (encarnação, morte e
ressurreição – Mistério Pascal), através do qual Deus se reconcilia conosco e
nos dá a eternidade junto d’Ele.
Catequese e Liturgia são irmãs gêmeas, se complementam e nunca deveriam
andar separadas.
Da
leitura do livro passamos a entender o que se deu com a catequese ao longo da
história, para colher aprendizado e referências:
Idade Antiga (sec. I ao sec. IV): Os
apóstolos, movidos pela grande força do ES, eram os catequistas que anunciavam
a vinda do Salvador. O exemplo dos primeiros cristãos no amor, e também
martírio levaram o império à conversão. Os catequistas eram chamados de
“doutores”. No sec. III e IV tínhamos o catecumenato de adultos, um itinerário
progressivo, com ritos de passagem. Para adentrar no mistério de Jesus era
preciso demonstrar mudança de vida. Após um primeiro anúncio - Querigma, era
proposto um período de aprofundamento – Catecumenato. O amadurecimento na fé era selado pela recepção
dos sacramentos da Iniciação Cristã, a partir do qual o catecúmeno se inseria
definitivamente na Igreja e passava a participar integralmente da Liturgia.
Idade Média (sec. V a XIV): Luta
contra as heresias, como o Arianismo. A Igreja evangelizava pela Liturgia, religiosidade
popular, devoções, imagens de santos e arte sacra. Ocorre o cisma com a Igreja
do Oriente.
Idade Moderna (sec. XV a XIX):
Passou-se a valorizar mais a aprendizagem doutrinal, individual, que não
favorece a ligação com a comunidade. Ocorre a Reforma e início das religiões
protestantes. (Os católicos começam a se desligar da Bíblia, enquanto que os
protestantes da Eucaristia e de Nossa Senhora).
Idade Contemporânea (a partir da
Revolução Francesa): há uma grande
ruptura na credibilidade das instituições como a família, escola, igreja,
política, o que desencadeou a crise atual. A evolução científica passou a
colocar em cheque alguns dos ensinamentos religiosos. Como o fiel não estuda a
sua religião, fica sem respostas aos questionamentos dos demais. Não deve
existir fundamentalismo quanto ao entendimento dos textos sagrados da Bíblia,
muito menos da tradição oral que era peculiar à época. Sendo a Igreja um
organismo vivo, formado por Cristo cabeça e nós membros, devido às alterações
na cultura e ambiente, sempre existirão forças para implantar mudanças dentro do
seio da Igreja.
O
Concílio Vaticano II (1962-1965), convocado pelo papa João XXIII, marcou a
procura por uma Igreja mais humana, de comunhão, participação e preocupação com
os pobres. Já estavam ocorrendo avanços na Liturgia. Produziu 16 documentos,
dos quais 4 são Constituições. Até hoje não conseguimos implantar a totalidade
da riqueza de ideias que surgiram no Concílio. Pensamentos diferentes são
comuns, não há com que se assustar, pode haver comunhão entre pessoas que
pensam diferente. Na Bíblia há diversidade de carismas e um só é o Senhor.
Carismas
são dons que ganhamos pessoalmente de Deus. Pode ser entendido também como o
foco de uma Ordem religiosa que as identificam. Por exemplo o carisma dos
salesianos é cuidar da juventude, dos franciscanos é cuidar do pobres, das
irmãs de Belém é cuidar da evangelização nas escolas, etc. Deus nos infundiu o
E.S. no nosso Batismo, recebemos as virtudes teologais da Fé, Esperança e
Caridade, além das virtudes cardeais dentro em tantos outros dons.
A fé não se
contrapõe à inteligência, mas não pode ser compreendida com conhecimento
intelectual, deve entrar pelo coração. “O cristianismo não é o encontro com um
conjunto de normas, mas com a pessoa de Jesus”; e por isto nossa Igreja insiste
em uma catequese de inspiração catecumenal, em que o catequizando deve ser
iniciado no grande mistério de incorporação ao Corpo de Cristo, que é a Igreja.
A abertura às novas realidades se dará na medida da abertura ao Espírito Santo,
para a salvação do povo de Deus.
** Após a
Adoração Eucarística, no final da tarde, foi organizada a eleição para os
cargos de Coordenador e Vice-Coordenador da Comissão, tendo cada (Arqui)Diocese
direito a uma indicação e logo após a um voto. Foram eleitas Anamar (Diocese de
Goiás) e Andréia (Arquidiocese de Brasília) respectivamente. O secretário
(Wanderson) e a tesoureira (Keila) foram confirmados nas respectivas funções,
com apoio de todos, bem como o Padre assessor e o Bispo Referencial.
Para
confraternização levamos lembrancinhas a serem trocadas e rimos muito das
prendas distribuídas. Cantamos parabéns ao aniversariante Gustavo, nosso
iniciante catequista e violeiro e passamos a saborear deliciosas guloseimas
trazidas pelos participantes, dentre as quais se destacaram os bolos do Flávio,
com cobertura de nutela e brigadeiro.
No domingo
começamos a refletir sobre a urgência de buscarmos um novo caminho para a
Catequese. A fé deve ser professada, celebrada e testemunhada! Existe uma
íntima relação entre Fé e Liturgia. Uma catequese mistagógica significa pegar o
catequizando pela mão e conduzir ao encontro pessoal com Jesus Cristo, entra
pelo coração e não pela razão.
Vivemos uma
catequese mistagógica na oração da manhã, belamente orante, refletimos com a
Palavra de Deus, o Salmo e refrões meditativos lindamente conduzidos pelas
catequistas Maria Lucia, Ana Paula e pelo Padre Adelso. Tudo ali conduzia ao
Mistério de Cristo.
Ainda pela
manhã refletimos sobre o Ministérios ordenados e não ordenados dentro da
Igreja, e chegamos à conclusão de que os catequistas exercem verdadeiramente um
Ministério intimamente relacionado à missão evangelizadora da Igreja, e como
tal, poderia ser instituído, a partir de
alguns elementos básicos de formação e tempo na função, dando-se o devido
reconhecimento ao catequista que colabora com seu serviço amoroso e gratuito,
suscitado e sustentado por Deus. Este Ministério não seria um prêmio dado pela
Igreja, nem um título de superioridade, muito menos de poder, pois o ministério
é diaconia.
O exercício
concreto de ministério por parte dos batizados é consequência natural do
caráter sacramental e carismático da consagração batismal. As atitudes
recomendadas para o exercício de qualquer Ministério dentro da Igreja devem ser
sempre a humildade, a simplicidade, o zelo e a alegria do serviço a todos, sem
considerar um mais do que o outro, mas amando-se mutuamente. Os ministros
leigos, pela ação do Espírito Santo, atuam no corpo místico que é a Igreja e
perpetuam por meio de seu serviço, a ação de Cristo no mundo e na sociedade,
fundada no amor.
Iniciou-se
a leitura do capitulo sobre o desafio atual da pós modernidade, em que a
velocidade das informações, acesso as tecnologias e mudanças nas relações
suscitam um novo jeito de fazer catequese, de forma vivencial, inculturada,
mistagógica e conectada com a realidade, de forma atrativa e autêntica. Como o
tempo não foi suficiente ficou para cada catequista terminar o estudo do livro
em casa.
O
padre Humberto solicitou que em duplas os catequistas dialogassem sobre o que
ficou de mais importante do encontro e logo em seguida fizemos a celebração da
impostação do sinal da cruz em vários membros do corpo uns dos outros (fronte,
boca, ouvidos, ombro, costas, etc), significando nossa verdadeira aliança com
Cristo e entre nós catequistas.
Nosso
encontro encerrou-se com a Palavra e Eucaristia dominical, presidida por Dom
Eugênio e seguida do almoço. Ficamos extremamente felizes e abastecidos nestes
dias, o saber do assessor, as trocas entre os catequistas e as oportunidades de
reflexão em muito enriquecem nosso Ministério da Catequese, ainda não
instituído, mas já completamente reconhecido e entendido pelos participantes.